O surgimento do Linux
Em
agosto de 1991, um jovem estudante da Universidade de Helsinki (Finlândia)
Linus Torvalds, anunciou em uma lista lista de discussão na internet
que estava criando um sistema operacional livre. Ele dizia modestamente
que seu trabalho era "apenas um passatempo". Em 5 de outubro de 1991,
Linus anunciou a primeira versão "oficial" do Linux. Após alguns anos,
este se tornou um dos mais populares sistemas operacionais disponíveis,
sendo continuamente desenvolvido pelo próprio Linus e por pessoas
do mundo inteiro. Desde então, surgiram várias empresas para
dar suporte ao Linux, como a Red Hat Software, a Caldera Systems,
a Debian Linux, e a brasileira Conectiva.
Essas empresas distribuem o Linux gratuitamente e criam programas
úteis e com interface gráfica, compatíveis com o sistema.
As empresas que buscam
desenvolver programas para Linux lucram, em geral, não com a venda
do software em si mas com os manuais de instalação e operação e com
o suporte técnico. Contudo, o Linux e seus aplicativos foram criados
e desenvolvidos, principalmente nos primeiros anos após a sua criação,
a partir de contribuições de usuários. Estas contribuições não eram
simples sugestões feitas ao fabricante do software, mas significaram
a reprogramação de suas funções e a criação de novas aplicabilidades.
As pessoas que desenvolveram o Linux fazem parte de um movimento muito
mais amplo, o movimento pelo software livre, que luta para que os
programas de nossos computadores pessoais possam ser alterados e compartilhados
pelos seus usuários.
O
impulso inicial para a história do software livre foi dado em 1969,
quando Ken Thompson, pesquisador do Bell
Labs, criou a primeira versão do Unix, um sistema operacional
multi-tarefa. Este sistema era utilizado pelos grandes computadores
que existiam na década de setenta em universidades e grandes empresas,
os mainframes. O Unix era distribuído gratuitamente para as universidades
e centros de pesquisa, com seu código-fonte (suas linhas de programação)
aberto. A sigla OSS (Open Source Software) é a que designa esse tipo
de programa, cuja estrutura pode ser modificada por qualquer usuário
com conhecimentos em informática, diferentemente dos sistemas operacionais
mais usados atualmente, como o Windows. A partir daí foram surgindo
novas versões do Unix, igualmente abertas e compartilhadas pelo meio
acadêmico.
Em
1971, Richard Stallman, do Massachusetts Institute of Technology (MIT),
inaugurou o movimento Open Source. Ele produziu no Laboratório
de Inteligência Artificial do MIT diversos programas com código-fonte
aberto. Em 1979, quando a empresa AT&T anunciou seu interesse em comercializar
o Unix, a Universidade de Berkley criou a sua versão do sistema, o
BSD Unix. A
AT&T se juntou a empresas como IBM, DEC, HP e Sun para formar a Open
Source Foundation, que daria suporte ao BSD.
Em
1983, Stallman criou o Projeto
GNU, com o objetivo de desenvolver uma versão do Unix com código-fonte
aberto, acompanhada de aplicativos e ferramentas compatíveis (como
um editor de textos, por exemplo) igualmente livres. Em 1985, ele
publicou o manifesto GNU e um tratado anti-copyright intitulado General
Public License. Esse tratado criava a Free
Software Foundation, explicando a filosofia
do software livre.
O uso do adjetivo "free" para qualificar um software não tem a conotação
de "gratuito", mas indica que o seu usuário é livre para executar,
distribuir, estudar, mudar e melhorar o programa. Com o avanço da
internet, diversas versões do Unix foram surgindo em todo o mundo,
sendo disponibilizadas pela rede para modificação e melhoria por parte
de outros pesquisadores e usuários. O Linux é apenas uma delas.
A colaboração para o desenvolvimento
de softwares livres vem incomodando progressivamente as indústrias,
que se sentem ameaçadas...