m eleições presidenciais realizadas desde 2002, pesquisas do Datafolha divulgadas às vésperas do primeiro turno subestimaram a votação do principal adversário do PT. A recorrência reacende a discussão sobre a confiabilidade das pesquisas, mas estudos mostram que sua acurácia não diminuiu sistematicamente nas últimas décadas. O problema está menos em exigir que os números antecipem o resultado das urnas e mais em compreender o que a margem de erro efetivamente consegue medir.
Da interpretação de pesquisas eleitorais a riscos com apostas, dificuldades com números e probabilidades repercutem no cotidiano; especialistas apontam a aprendizagem ativa como um caminho para enfrentar o problema.
Especialista em amostragem, Neale El-Dash explica como pesquisas transformam respostas de uma pequena parcela da população em estimativas sobre milhões de eleitores e por que incerteza, vieses e erros fazem parte desse processo
Expressar a incerteza torna a previsão mais informativa, pois preserva diferenças que uma resposta categórica não consegue comunicar. Imagine duas situações. Na primeira, as informações disponíveis indicam pequena possibilidade de chuva. Na segunda, apontam fortemente para sua ocorrência. Se ambas forem comunicadas simplesmente como “pode chover”, uma informação importante se perde. A probabilidade permite diferenciar essas situações e, mais importante, permite que essa diferença seja considerada por quem precisa tomar uma decisão.
A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha campeã, exatamente como apontavam modelos estatísticos. O balanço do torneio, com a Argentina vice-campeã e o Brasil eliminado pela Noruega, é ocasião para entender como a probabilidade transforma a paixão pelo futebol em estimativas de risco, e o que elas ensinam sobre incerteza e acaso.
Modelos matemáticos permitem representar sistemas ecológicos e sua capacidade de adaptação e – e seus limites – frente às mudanças ambientais. Formulações recentes mostram que, mesmo sem ultrapassar esses chamados tipping points, os sistemas ecológicos podem colapsar devido à rapidez das mudanças ambientais.
Imagem: Cena de expedição da Comissão Científica de Exploração ao Ceará, 1859 (crédito: José dos Reis Carvalho, 1798-1892/Museu Dom João VI, Rio de Janeiro/Wikimedia Commons)
As expedições de exploração atuaram de forma decisiva na expansão de fronteiras, no mapeamento dos recursos naturais, na compreensão da geografia, no registro das populações locais e nativas e de seus modos de vida, na produção de mapas e itinerários, na coleta de espécimes botânicos e zoológicos e na elaboração de relatórios destinados a governos e instituições. Continue lendo Além da ciência: expedições como peças da geopolítica e da soberania→
Todos os verões austrais, dezenas de pesquisadores brasileiros trocam laboratórios por acampamentos, navios e temperaturas negativas para estudar um continente que influencia diretamente o clima e os oceanos da América do Sul