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Acordo entre Brasil e China construirá
estações de recepção do Satélite Sino Brasileiro

A recente visita do governo brasileiro à China rendeu mais um acordo na área de ciência e tecnologia para o desenvolvimento de projetos espaciais. No final de maio, foi firmado um memorando de entendimento entre os dois países para o desenvolvimento conjunto de um sistema de aplicações para o programa Satélite Sino Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês). O acordo prevê a construção do segmento solo, que são estações de recepção para o tratamento das imagens geradas pelo CBERS 3 e 4.

"Com a construção de novas infra-estruturas para o tratamento das imagens, será possível o fornecimento e comercialização para países além da China e Brasil", informa Leonel Perondi, coordenador geral da área de tecnologia e engenharia espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É importante frisar que as imagens também estão disponibilizadas para o usuário comum, através de uma política de uso do Inpe.

O acordo vale para os satélites CBERS 3 e 4, que ainda não foram lançados, mas já estão sendo usadas em uma fase experimental imagens geradas pelo CBERS 2, lançado em outubro de 2003. Uma estação em Cuibá (MT) recebe as imagens, que são transferidas e tratadas em São José dos Campos (SP) - na sede do Inpe -, para então serem disponibilizadas para o usuário final. "Os acordos que o Brasil e a China sustentavam [até então] eram apenas de construção e lançamento dos satélites. Controlar o satélite e receber as imagens significa um avanço na relação entre os países", informa Perondi.

A visita à China proporcionou novos parâmetros nessa relação bilateral, maximizando as aplicações do satélite. O CBERS 2 está em ótimas condições de funcionamento, o que pode contribuir para o acordo ser um excelente negócio no mercado mundial de imagens para sensoriamento remoto. Existe uma brecha nesse mercado, pois alguns dos principais satélites com aplicações semelhantes às do CBERS estão operando em más condições ou estão no final de suas vidas úteis. O CBERS pode identificar focos de incêndio, monitorar e quantificar a expansão agrícola e ainda mapear as formas de uso do solo e a expansão urbana.

 

foto da cidade de Beijing
Cidade de Beijing, capital da República Popular da China.
Na parte central da cena aparece um pequeno quadrado formado pelas grandes avenidas que contornam a Praça da Paz Celestial. Logo acima da Praça aparece na cor vermelha, a Cidade Proibida, residência dos imperadores chineses até o ano de 1948.
Fonte: INPE.

foto da cidade de Brasília
Plano Piloto de Brasíilia e seu contorno gravado pelo
Satélite CBERS em 31 de julho de 2000.
Destaca-se o cinturão das cidades-satélites em plena expansão,
bem como a presença de novos loteamentos.
Na parte sul da cena aparece uma longa pluma de fumaça.
Fonte: INPE.

Para que o acordo funcione sem restrições, ainda falta ser assinado um protocolo complementar que definirá as políticas dessa nova cooperação. O documento deverá ser assinado no segundo semestre deste ano, no Brasil, quando estiver acontecendo a primeira reunião do Comitê de Coordenação do Programa. Os representantes brasileiros e chineses pretendem discutir os principais pontos do programa e, em especial a política de aplicações dos produtos dos satélites.

Outras parcerias de programas espaciais do Brasil
O Brasil, confirmando sua excelência em tecnologia espacial, ainda desenvolve outras parcerias, entre elas, com o Japão, a Rússia e a Alemanha. Segundo informações da assessoria de imprensa do Inpe, há duas negociações sendo estudadas para construir Plataformas MultiMissão (PMM). Embora não seja propriamente um satélite, a PMM é parte fundamental do equipamento. Sua função é atuar como uma das três partes envolvidas no funcionamento do satélite: o módulo de serviço (as outras duas são a carga útil e os painéis solares). A PMM é responsável, por exemplo, pelo posicionamento correto do satélite na órbita.

Uma das negociações em andamento é com a Argentina, e os estudos estão direcionados para a obtenção de dados agrícolas (previsão de safra e umidade do solo). A outra cooperação, mais avançada, ocorre com a Alemanha, e disponibilizará um radar orbital para o monitoramento da Amazônia. Um dos grandes problemas de se obter boas imagens da Amazônia é a presença constante de nuvens na região. O radar orbital "driblaria" esse problema, pois as fotos não sofrem interferências de nuvens e da luminosidade, como acontece com os satélites. A fotos geradas pelo radar terão um uso potencial para uma série de prováveis usuários do sistema, como a Petrobrás, a Embrapa, o Museu Emílio Goeldi e o Serviço Geológico do Brasil.

Em abril deste ano, uma equipe da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Inpe visitaram a Agência Espacial Alemã - DLR (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt) para estabelecer as etapas e as responsabilidades do estudo.

Há ainda outros programas espaciais no Brasil, desenvolvidos pelo Inpe e pela AEB, em parceria com outros países: são os microsatélites científicos como o Equars, que tem o objetivo de estudar a atmosfera e, entre outros parceiros, envolve a Universidade de Quioto, do Japão, e a Universidade de Utah, dosEUA; o Mirax, microssatélite imageador de raios X, usado para estudo de estrelas de nêutrons e buracos negros; e o MCE, relacionado ao monitoramento do clima espacial, envolvendo parceria com a Rússia e Ucrânia.

Atualizado em 11/06/04
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